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Excelência em Educação

Excelência em Educação Nº 09 de 18

Sobre educação e neutralidade

Por Veramoni CoutinhoPublicado originalmente em 3 min de leitura

Desde a revolução cognitiva, quando o Homo sapiens adquiriu consciência e adquiriu juntamente a possibilidade de agir de forma intencional, passou a planejar a ação e avaliar as consequências provocadas por esta ação. Talvez a maior aquisição na tomada de consciência seja a dimensão teleológica, o fato de estabelecer fins e buscar realizá-los de forma intencional.

Isso implica em que toda ação humana, por mais neutra que possa parecer, sempre pressupõe uma escolha, uma opção desta ou daquela alternativa para a satisfação das necessidades. Isso porque não utilizamos aleatoriamente a natureza, mas a transformamos intencionalmente, pelo planejamento, execução e avaliação.

O planejamento, por ser uma ação humana, necessita de uma opção axiológica: É o caráter valorativo que determinará que postura assumir. E consequentemente, requer um comprometimento ideológico.

Sendo o Planejamento Educacional um meio para se atingir o fim, influencia sensivelmente no objeto a que se destina. Daí a necessidade de se ter claro a sociedade que se quer alcançar, o ser humano que se quer ajudar a formar.

Neste processo de construção de uma nova realidade a Avaliação Educacional desempenha um papel fundamental: O de subsidiar a ação educativa através da análise do rumo que a ação toma.

Não muito raro ouvimos alguns profissionais da Educação, imbuídos numa pretensa neutralidade, afirmarem não se envolver com política. Que preferem “não tomar partido”. Carece neste caso da reflexão de que a política permeia tudo e mesmo quando se opta por não participar dela já se está optando por uma forma de participação: A passividade, a acomodação.

Somos responsáveis também pelo que deixamos de fazer. A omissão tem a mesma intencionalidade que uma ação planejada. Porém, a omissão apenas beneficia os detentores do poder.

Quando assumimos a opção de não envolvimento já estamos fazendo um ato político, segundo Luckesi, “o ato de politicamente despolitizar a política”.

É inconcebível uma ação pedagógica que pretenda ter um comprometimento com a mudança ser desvinculada da dimensão política.

Fazer educação, especialmente na escola pública é um ato eminentemente político. Deve considerar os aspectos sociais, os pressupostos científicos, deve ter significado ideológico. Caso descuide destes critérios a educação não passa de formalidade e um mero instrumento mantenedor do modelo de sociedade atual.

O ato educativo deve ser uma tomada de posição apaixonadamente comprometida com a sociedade e sua transformação em uma sociedade em que todos sejam incluídos/as e que solidariamente partilhem os frutos da riqueza produzida.

A avaliação deve ser um instrumento de análise em conjunto de qual aspecto do projeto não está sendo construído eficientemente e deve apontar meios de como pode ser redimensionado. É uma forma de buscar o crescimento coletivo e o sucesso da ação.

Enfim, educar pressupõe um comprometimento, uma luta constante em que todos são sujeitos e objetos, em que a reciprocidade e a busca constante pela melhoria da sociedade sejam a matéria prima desta construção, que ela ajude a formar indivíduos dotados de competência técnica, comprometimento social, com conhecimento dos pressupostos científicos e fundamentalmente, com compromisso ético e político, que deve ser a finalidade da escola, em especial a escola dos socialmente desfavorecidos.