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Excelência em Educação

Excelência em Educação Nº 10 de 18

Pensadores que aproximam a escola da vida

Por Veramoni CoutinhoPublicado originalmente em 4 min de leitura

A discrepância existente entre o conhecimento que os/as alunos/as têm fora e dentro da escola é enorme, porque o que se vive em casa, nos grupos de amigos, na igreja, na rua, é simplesmente descartado pela escola, que se limita apenas ao repasse da cultura acumulada, distinta da vida da maioria e, portanto, de difícil aplicabilidade prática.

A educação desvinculada da vida como vem sendo implementada pela educação formal está fadada ao fracasso e isso é motivo de preocupação para os/as educadores/as comprometidos/as com o sucesso do processo de ensino-aprendizagem.

Todo mundo tem suas pessoas preferidas. Eu também tenho, e vou falar aqui dos meus pensadores preferidos destacado a contribuição desses pensadores para o enfrentamento da problemática da defasagem do conhecimento produzido na escola e a vida real, digamos assim.

Vários pensadores se debruçaram sobre a questão da defasagem do conhecimento extraescolar e o conhecimento escolar.

Paulo Freire é um deles. Freire buscou a elaboração de um método para facilitar a alfabetização. Criou o método Paulo Freire de alfabetização de adultos, que foi amplamente conhecido, mas por questões políticas, restritamente aplicado.

A educação, segundo os pressupostos freirianos deve embasar-se na vida dos sujeitos. A leitura do mundo antecede a leitura da palavra e mais importante que a escrita da palavra é a escrita da história do indivíduo.

Seu método inicia-se com a “pesquisa do universo vocabular” momento em que o orientador/a colhe as informações do local onde a alfabetização ocorrerá, pois são essas informações que propiciarão a construção de novos conhecimentos.

Ao se trabalhar as peculiaridades da região ou da profissão dos indivíduos, enfim do seu universo, irá se trabalhar a consciência crítica, despertando para os aspectos econômicos, políticos, culturais, sociais, etc. dos fatos para desenvolver a alfabetização.

Outro educador, Célestin Freinet, não buscou desenvolver um método propriamente dito, mas ao adaptar teorias educacionais à sua realidade constituiu uma série de técnicas que revolucionaram a sua escola.

Freinet acreditava que o conhecimento originava-se a partir da exploração do ambiente, da realidade dos alunos. Instituiu, com base nesta crença, as aulas-passeio, que, aliás, muito se ouve falar, mas pouco se implementa nas escolas, apesar de sua fácil aplicabilidade e profícuos resultados.

As aulas-passeio enfatizavam a observação da riqueza que havia fora da escola, nas ruas e parque, trazendo-as para dentro da mesma.

Tais observações deveriam ser guiadas pelo docente, propiciando maior percepção por parte das crianças. No final tudo deveria ser sistematizado em um fichário escolar e partilhado pela correspondência escolar e interescolar. Através da correspondência trabalhava-se a leitura e a escrita e discutia-se questões da “vida real” convertendo os muros que separam escola da vida em pontes.

Emília Ferreiro foi a educadora que mais contribuiu para a aplicação do pensamento de Jean Piaget à educação. Ferreiro valorizou o pensamento da criança e sua intenção. Mesmo que o resultado da tentativa de produção de uma criança não esteja condizente com a expectativa do professor, deve ser valorizado, pois é o indicador do nível de desenvolvimento que a criança está.

Assim como o crescimento, a leitura e a escrita obedecem fases de desenvolvimento iguais para todas as crianças, sendo que o estímulo que receberão do meio determinará alguma variação de uma para outra.

Cabe ao professor inteirar-se do ambiente sociocultural de seus educandos, bem como de seu estado emocional, a fim de identificar o nível de desenvolvimento em que se encontram. A partir daí, criar condições para a criança atingir níveis superiores de cognição.

O conhecimento que a criança construiu na sua vida fora da escola será, desta forma, valorizado e o retorno do que será apreendido na escola terá lugar na sua vida, pois, terá significado para ela.

Para Maria Montessori a educação deve libertar a criança, mas a escola não pode fazer isso sozinha. A educação instituída fora da escola deve condizer com tais objetivos, deve ajudar a criança a romper os obstáculos que se opõe ao seu desenvolvimento.

A criança é o centro do sistema montessoriano de educação e a escola, tanto no tocante à estrutura física como conteúdo programático, deve se adequar a ela.

Com base nisto, Montessori criou o material sensorial para desenvolver as potencialidades dos seus educandos/as, a partir dos sentidos, ampliando os níveis de autonomia, disciplina, livre escolha, iniciativa, criatividade, ordem, concentração, coordenação motora, psicomotricidade, autodisciplina e autocorreção.

O material sensorial é considerado caro, o que torna o sistema montessoriano elitista, visto que somente escolas que atendem a clientela com alto poder aquisitivo tem acesso a ele. É possível, porém, produzir todo o Material Dourado de Montessori com o uso de recursos reaproveitáveis, ou de preço acessível, como cartolina, papel cartão, etc.

Estes, entre muitos educadores, contribuíram para o desenvolvimento de uma educação que contemple de fato a finalidade da educação que a formação de pensadores, líderes e autônomos, construtores de sua história.

Educar deve considerar uma concepção que pretende conduzir o aluno à aquisição do conhecimento já produzido por novas elaborações, fomentando a sua criticidade para uma ação que leve a transformação da realidade social. Neste contexto não é mais aceitável que a escola se limite apenas a função de ensinar e aprender o conhecimento acumulado pelas civilizações.

O desenvolvimento de tecnologias e o avanço científico apontam para uma educação que prepare indivíduos criativos, reflexivos, que tenham competência técnica e discernimento ético. Cabe então à escola a preparação para formação integral necessários à sociedade brasileira.