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Excelência em Educação

Excelência em Educação Nº 02 de 18

Fatores determinante do sucesso escolar

Por Veramoni CoutinhoPublicado originalmente em 5 min de leitura

Em algum momento já ouvimos um professor dizendo que o problema está na família ou uma mãe se queixando que os professores não ensinam nada.

A dificuldade de identificar e explicar as causas da evasão escolar e do fracasso escolar de modo geral se devem ao fato de estarem relacionadas ao estudante, à escola, à família e à comunidade de forma imbricada. As causas são inúmeras, como o fraco investimento na vida escolar; falta de apoio familiar para o acompanhamento dos estudos; falta de tempo por parte do aluno para dedicação ao estudo; baixa motivação; a inadaptação à escola; inabilidade para conciliar estudo e trabalho; problemas de ensinagem por parte da instituição; atividades escolares que não despertam o interesse do aluno; dificuldade de entender o conteúdo, dentre muitas outras coisas.

Tudo isso são fatores que consideram a família, a escola, o próprio aluno e a comunidade. Isso mostra a exigência de associar o estudo da evasão escolar a fatores individuais, sociais, institucionais. E mostra ainda a necessidade de considerar a inserção do estudante no contexto social mais amplo.

A “evasão escolar se caracteriza como um fenômeno complexo, multifacetado e multicausal ligado a fatores pessoais, sociais e institucionais” (DORE et al., 2014), ocorre quando o estudante desiste de continuar os estudos ou, mesmo que temporariamente, desiste da sua formação acadêmica.

A evasão escolar é a situação de saída do aluno do curso durante o período letivo, portanto, sem a sua conclusão. A meta é a saída com êxito, a conclusão do curso na época inicialmente proposta. Quem faz uma escolha consciente por um curso e por uma instituição tem uma intenção, a saída com êxito. É ponto pacífico que ninguém ingressa numa empreitada vislumbrando o fracasso.

O ‘fracasso escolar’ não existe; o que existe são alunos fracassados, situações de fracasso, histórias escolares que terminam mal. Esses alunos, essas histórias é que devem ser analisados, e não, algum objeto misterioso, ou algum vírus resistente, chamado ‘fracasso escolar’. (CHARLOT, 2000, p. 16).

A escolha é condicionada por fatores sociais e familiares, por características do sistema escolar e quando as condições não favorecem, o aluno constata a inviabilidade de continuidade, até que só resta evadir.

“Não existe evasão da escola pelo aluno, e sim expulsão do aluno pela escola” (FREIRE, 2003, p. 135). Por norma, o aluno é o sujeito que sofre a ação. Seu poder de decisão é muito limitado. Se ele pudesse, invariavelmente escolheria a saída com êxito.

Por isso tudo, a expressão «o estudante desiste de continuar os estudos» precisa ser vista com cautela. O aluno não decide evadir, ele evade quando não há mais opção. E não é do nada. Quando a experiência com a escola termina mal, o aluno tende a se ver como responsável e encarar a evasão escolar como uma escolha pessoal, aceitando ou mesmo puxando para si o ônus de um ato considerado gerador de improdutividade, desperdício, enfim, fracasso. Mas, é fato que a escolha entre o abandono e a permanência na escola não depende tanto da vontade do aluno.

Segundo FONSECA (1995), fatores socioeconômicos e de privação cultural, e os fatores escolares ou de ensinagem são os mais citados.

Sendo que os principais, segundo o autor, são Carências afetivas; deficientes condições habitacionais, sanitárias, de higiene e de nutrição; pobreza e estimulação precoce; fraca interação sociolinguística; privações lúdicas, psicomotoras, simbólicas e culturais; ambiente repressivos; nível elevado de ansiedade; relações interfamiliares; hospitalismo; métodos de ensino impróprios e inadequados.

E a contribuição da família e para o sucesso escolar. Pois é a família tem um papel imprescindível aqui.

Num determinado dia a família arruma a criança e a manda para escola. Ela começa aí a construção da sua vida escolar que deverá perdurar por muitos anos. O contexto em que vive apresenta elementos modeladores do perfil do aluno, define valores e comportamentos. Para Rumberger são considerados modeladores:

elementos da família, como características estruturais, status socioeconômico, tipo de família, escolarização dos pais, estilos parentais; elementos da escola, como recursos e características estruturais da escola, composição da população estudantil, processos e práticas de ensino; elementos do meio onde o aluno vive, local onde mora, habitação em bairros/zonas desfavorecidas, saneamento básico; elementos sociais, como influência negativa dos pares, entre outras. (RUMBERGER 2001 cit. in LOURENÇO 2013, pp. 7-8).

Embora de grande relevância, as variáveis econômicas não têm efeitos substanciais quando comparadas a relevância do background familiar. À primeira vista, a análise da composição do alunado remete-se a variáveis sociais e econômicas, mas vai além disso.

Quando se afirma que alunos advindos de contextos ricos têm mais chances de êxito nos percursos escolares e menos risco de evadir, refere-se mais ao background familiar do que ao nível socioeconômico. “o rendimento escolar depende do capital cultural previamente investido pela família” (BOURDIEU, 1998, p.74). Assim, quem tiver mais capital cultural pode desenvolver estratégias mais eficazes para melhorar seu rendimento escolar.

Isso tudo tem grande influência no desempenho acadêmico e pode ser determinante do sucesso escolar, pois serve de base e cria condições mais propícias para angariar novos conhecimentos.

REFERÊNCIA:

BOURDIEU, P. Os três estados do capital cultural. In NOGUEIRA, M.A; CATANI, A. (Org.). Escritos de Educação. Tradução Magali de Castro. Rio de Janeiro: Vozes, 1998.

CHARLOT, B. Da relação com o saber: Elementos para uma teoria. Tradução Bruno Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000.

FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minha práxis. São Paulo, UNESP, 2003.

FONSECA, V. Dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes médicas, 1995.

LOURENÇO, A.R.M. Motivações na origem do abandono escolar. Castelo Branco. 2013.