
Excelência em Educação Nº 13 de 18
Educação como ato revolucionário
“O que é globalização?” Uma estudante que tentava responder umas questões do seu livro de geografia perguntou. “Procura nas páginas anteriores” foi o que teve como resposta. Mas a estudante não dirigiu a pergunta a uma pessoa qualquer, como um irmão mais velho, uma tia, ou mesmo a mãe, ou outra pessoa qualquer que não quisesse ajudar com as tarefas escolares. A estudante estava na escola, em sala de aula e dirigiu a pergunta à professora de geografia.
Aconteceu assim. A professora entrou para ministrar sua aula. Mandou que os estudantes abrissem o livro e respondessem da página tal até a página tal. E começou fazer outras coisas, como mexer no celular ou escrever nuns papéis, ou conversar com outros professores. Lá pelas tantas, a aluna perguntou: “professora, o que é globalização?” E a resposta foi: “Procura nas páginas anteriores”. A professora não tinha explicado o conteúdo. Ela não despertou o interesse dos estudantes para que buscassem entender o que é globalização. Ela é uma professora que perdeu a oportunidade de instigar aqueles jovens a construir conhecimento. E, o que é mais preocupante, ela não fez nada diferente do que a imensa maioria dos professores das escolas públicas.
Por norma, os professores que se dedicam a dar uma boa aula acabam sendo tragados pelos vícios do sistema de ensino, que não funciona. E não funciona porque não foi feito para funcionar.
Existe uma rede de poder concentrado. O Brasil vive sob o domínio do império norte-americano que exerce o controle com o auxílio da elite social, econômica e política do próprio país. E que não haja equívoco: O Estado foi criado para proteger os interesses da classe dominante, embora seja apresentado como um instrumento que representa o interesse comum de todos. Assim, toda estrutura do estado está a serviço da manutenção deste poder.
O texto Armas silenciosas para guerras tranquilas traz a seguinte ideia: “No sentido de alcançar uma economia totalmente previsível, os elementos de classes inferiores da sociedade devem ser deprimidos sob controle total. E isso se consegue de diversas formas, dentre elas, através da escola: A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser do tipo mais pobre, de forma que o canal da ignorância, isolando a classe inferior da superior, esteja e mantenha-se incompreensível a classe inferior. (…) Com um tal obstáculo inicial, mesmo os brilhantes indivíduos das classes inferiores têm pouca esperança de livrar-se do destino assinalado para suas vidas”.
O ato mais subversivo que um profissional da educação, seja docente ou um diretor de Escola, pode fazer é ser um bom profissional. Darci Ribeiro falou desta teimosia, o governo faz de tudo para a escola não funcione bem, e o professor vai lá e teima em dar aula. Educação como ação libertadora não é só empunhar a bandeira e ir para rua protestar. Ajudar o estudante a libertar o seu pensamento é muito revolucionário.
Nenhuma instituição chega aos lares dos brasileiros como a escola pública. Florestan Fernandes disse: Feita à revolução nas escolas o povo fará nas ruas. Imagina se em vez de mandar procurar nas páginas anteriores a professora instiga/provoca/estimula os jovens a pensar sobre o que é globalização? Imagina se a moda pega?