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Excelência em Educação

Excelência em Educação Nº 14 de 18

As neurociências e a educação

Por Veramoni CoutinhoPublicado originalmente em 2 min de leitura

O aprendizado ocorre na cabeça, levando a profundas e significativas mudanças no cérebro. Porque, então, delegar apenas às ciências humanas o entendimento de como se dá o aprendizado? “A ninguém ocorreria encomendar a pintores, encanadores ou jardineiros a construção de uma casa, podendo contar com os serviços de um engenheiro”. (FRIEDRICH E PREISS, 2006)

Cabe então à neurobiologia ocupar-se do estudo sobre qual a melhor maneira do cérebro aprender e com isso fornecer as bases científicas para elaboração de teorias didáticas, ajudando a criar estratégias de ensino-aprendizagem.

Nossas reflexões serão embasadas principal, mas não exclusivamente, nos estudos divulgados na conceituada revista de psicologia, psicanálise, neurociência e conhecimento “Viver mente e cérebro” de fevereiro de 2006 pela jornalista, psicóloga e psicanalista Gláucia Leal; pelo doutor em pedagogia Gerhard Friedrich, pelo professor de didática da matemática na escola superior de pedagogia de Freiburg, na Alemanha, Gerhard Preiss.

“Por que alguns alunos aprendem e outros não?” Essa inquietação, que é de todo/a educador/a que se importa com a qualidade da educação, motivou uma equipe multidisciplinar da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo a discutir temas das neurociências aplicadas à educação, buscando, sobretudo, enriquecer o ensino.

Educadores, psicólogos, médicos, fonoaudiólogos deste grupo buscaram valorizar a prática docente, dando suporte à ação do/a educador/a, através da contribuição da didática neurocientífica.

“Será que escola clássica consegue transmitir o que os alunos/as precisam para a vida?” Essa questão é discutida desde sempre por pedagogos, psicólogos, sociólogos e até por antropólogos. Enquanto, as neurociências têm se mantido ausentes do debate didático.

As neurociências lançam mão do estudo da estrutura e desenvolvimento do cérebro, da evolução e do funcionamento considerando fatores biológicos, neurológicos, psicológicos, matemáticos, físicos e computacionais para obtenção de informações que possibilitem a melhoria da qualidade da educação e a ampliação do acesso, visando à inclusão de crianças, adolescentes e adultos.

Então, com desenvolvimento da psicologia cognitiva e com a contribuição da didática neurocientífica para a prática pedagógica, o professore deve procurar ser um especialista em como se dá o processo cognitivo, como a pessoa aprende, o que fazer para despertar o interesse, que tenha domínio ou noções elementares de psicologia cognitiva, que lhes permitam compreender minimamente “Por que alguns alunos aprendem e outros não?” Espero que seja ponto pacífico entre nós que o professor deve ser um expert em cognição.

A didática neurocientífica nasceu da interface da química, física e pedagogia. Assim, os professores/as poderão desenvolver novas estratégias de ensino-aprendizagem com o auxílio dos conhecimentos da didática neurocientífica.

REFERÊNCIA:

FRIEDRICH E PREISS. Educar com a cabeça. Viver mente e cérebro: revista de psicologia, psicanálise, neurociências e conhecimento: Ano XIV, nº 157, 2006.