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Ser EDUC

Ser EDUC Série Referenciais Vivos · Nº 08 de 14

Revisar para crescer: RdV, RdP e a cultura da avaliação

2 min de leitura

Na Educ, a gente não caminha no automático. A cada passo, paramos, olhamos para trás, olhamos para dentro, escutamos o caminho — e só então seguimos. Esse movimento tem nome e faz parte da nossa identidade: é a Revisão de Vida (RdV) e a Revisão de Prática (RdP).

Mais do que uma metodologia, a revisão é um jeito de viver a formação. É por meio dela que amadurecemos como grupo e como pessoas. É o espaço onde reconhecemos acertos, enfrentamos desafios, celebramos conquistas e acolhemos limites — sem medo, sem culpa, sem máscaras.

A Revisão de Vida nos convida a olhar para dentro.
Como estou? O que estou sentindo? O que tem me animado? O que tem me ferido?
É um exercício de escuta de si, feito com simplicidade, afeto e cuidado. É também um espaço de partilha: quando um fala, o outro escuta com respeito. Quando um silencia, o outro acolhe o silêncio. RdV não é cobrança: é comunhão.

Já a Revisão de Prática nos chama a olhar para o que fazemos.
O que funcionou? O que não deu certo? O que aprendemos com essa ação?
Como foi nossa comunicação, nosso planejamento, nosso vínculo com a comunidade?
RdP é avaliação feita com sentido — não para punir ou medir, mas para melhorar, aprender, crescer.

Essas práticas têm raízes profundas na história das Pastorais da Juventude e na tradição da Educação Popular. A RdV surgiu como um espaço de partilha de vida e escuta fraterna entre jovens engajados na vivência da fé e da realidade. Já a RdP se desenvolveu como um instrumento pedagógico inspirado em Paulo Freire, voltado para a leitura crítica da ação, com vistas à transformação. Ambas foram abraçadas por movimentos sociais, comunidades e iniciativas educativas que acreditam na formação como processo integral e libertador.

Juntas, RdV e RdP constroem uma cultura da avaliação viva, formativa e participativa.
Aqui, avaliar não é apontar o dedo. É acender uma lanterna.
É deixar-se interpelar pela própria experiência e buscar, com o grupo, caminhos novos.

Essas revisões fazem parte da nossa prática desde sempre. Estão presentes nos encontros, nos projetos, nas reuniões de equipe. E ajudam a manter viva uma das nossas maiores convicções:
ninguém cresce sozinho, e ninguém cresce sem olhar para dentro.

Revisar não é parar.
É preparar-se para seguir melhor.
Porque só cresce quem tem coragem de rever.