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Excelência em Educação

Excelência em Educação Nº 18 de 18

A escola na era da informação

Por Veramoni CoutinhoPublicado originalmente em 3 min de leitura

Imagine uma aldeia cravada no centro de uma cadeia de montanhas, numa área remota, em total isolamento. Os aldeões organizam a vida tendo como base os conhecimentos de manejo de animais, de cultivo da terra, de arranjo das casas, herdado dos seus ancestrais. Com o passar do tempo foram crescendo e se constituindo como um vilarejo.

Havia um jovem que, inconformado com vida pacata, ansiava em conhecer o que havia além das montanhas e decidiu partir. Na sua jornada conheceu cidades populosas, com formas diferentes de organização, manejo inovador do solo e do gado, formas de comércio e civilizações inimagináveis e, deparou-se com um mundo incrível, bem diferente do modo de vida rudimentar da sua vila.

E assim se passaram os anos, e o jovem teve pacificada sua necessidade de desbravar este novo mundo. Na maturidade, sentiu falta de casa e decidiu voltar. Ao retornar à vila natal encontrou seu cotidiano inalterado, sentiu-se em casa quando viu que tudo estava do jeitinho que ele havia deixado.

Ele passou a relatar o que tinha visto e todos viram que aquilo era bom e que, com os conhecimentos dos ancestrais, poderia levar a vila a novos patamares de desenvolvimento e prosperidade e qualidade de vida para os moradores.

Ele era consciente da sua missão, pois sabia que, estando ele de posse de todo conhecimento, se ele não repassasse, ninguém saberia. O andarilho ganhou muita importância na vila e passou a ser uma espécie de sábio porque era o detentor de muito conhecimento. Conhecimento que teve aplicabilidade no vilarejo e, repassando aos demais, a vida de todos ficou melhor. Eles progrediram e tiveram sucesso e felicidade e tudo mais.

O que aconteceu aqui foi que alguém que sabe repassa o conhecimento aos que não sabem. Isso é o que subsidia a noção da profissão do professor e da escola. Modelo muito útil em épocas passadas, em que o conhecimento era escasso e restrito a um ou poucos indivíduos.

Ocorre, porém, que estamos na era da imaginação, na era da informação. O mundo mudou, as necessidades mudaram, as ferramentas são outras e a quantidade de informação a que os jovens são expostos é muito maior. A qualidade e a velocidade do pensamento mudaram. A sociedade mudou, mas a escola continuou a mesma.

Com o advento da sociedade pós-moderna a acessibilidade à informação se disseminou. A informação está na internet, na televisão, nas revistas, no celular, com todo o dinamismo e rapidez. E acessível a todos, à distância de apenas um clique.

Aquela escola que tem o papel de transferência de conteúdo se torna a cada dia mais insignificante. E a figura do professor, único detentor do conhecimento, que marcou o início da instituição escolar, se distancia cada vez mais. A escola provedora de informação já não responde à demanda da nova sociedade. A escola para a sociedade da informação é a que desperta nos alunos e alunas os mecanismos necessários para lidar com o imenso volume de informações a que são diariamente submetidos.

Por isso, o modelo educacional vigente está falindo e definhando a cada ano.

Isso tem relevantes implicações para a educação escolar, pois com o advento da sociedade pós-moderna a acessibilidade à informação se disseminou. E a figura do professor, único detentor do conhecimento que marcou o início da instituição escolar, se distancia cada vez mais.

A escola vai precisar se revolucionar.