
Excelência em Educação Nº 04 de 18
A educação dos sonhos
Augusto Cury, pensador que considero imprescindível, no livro Pais brilhantes, Professores fascinantes, apresenta reflexões acerca da educação dos sonhos e descreve poeticamente, a escola dos sonhos dele:
“É a escola que educa os jovens para extraírem força da fragilidade, segurança da terra do medo, esperança da desolação, sorriso das lágrimas e sabedoria dos fracassos. A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo a alegria de um palhaço, a força da lógica à singeleza do amor. Na escola dos meus sonhos cada criança é uma joia única no teatro da existência, mas importante que todo dinheiro do mundo. Nela os professores e os alunos escrevem uma belíssima história, são jardineiros que fazem da sala de aula um canteiro de pensadores.” (CURY, 2003)
As nossas crianças e jovens estão recebendo super estímulos visuais e sonoros dos meios de comunicação de massa, principalmente pela tevê e pelo excesso de informação que a contemporaneidade impõe e que caracteriza nossa época.
Os alunos são levados ainda ao consumismo e supervalorização dos padrões de beleza, sem reflexão e sem aprofundamento das emoções.
Vamos ver agora ferramentas pedagógicas que podem nos ajudar no enfrentamento dessa problemática, que nos leve a ajudar nossos alunos/as gerenciar seus pensamentos e emoções.
A IMPORTÂNCIA DE DESENVOLVER A SENSIBILIDADE.
Uma aula é uma viagem, ou os/as alunos/as embarcam, ou o professor/a viaja sozinho/a. O professor deve saber tocar a emoção para conduzir os alunos na viagem do conhecimento.
Mais do que falar à mente é preciso que os professores/as falem ao coração de seus alunos/as, expressando emoção, mudando a entonação enquanto fala. Com isso se pode estimular a concentração e diminuir a ansiedade provocada pela síndrome do pensamento acelerado, pois assim eles/elas desaceleram seus pensamentos.
O professor deve saber proteger a emoção e não deixar que a agressividade dos alunos o perturbe. Deve, sim, compreender a causa da agressividade, acolher e compreender seus alunos/as.
A IMPORTÂNCIA DE EDUCAR A EMOÇÃO.
A emoção, assim como a mente racional, deve ser educada. Da mesma forma que não se nasce sabendo e se precisa passar por processo de aprendizagem, o mesmo ocorre com a mente emocional, ela precisa ser submetida ao processo de aprendizagem, precisa ser educada. Como? Estimulando o aluno a pensar antes de reagir, a encarar o medo como algo inerente ao ser humano e não temer sentir-se amedrontado, a ser protagonista da sua história, saber filtrar os estímulos negativos, isso é, gerenciar suas emoções.
Segundo Cury “as escolas não estão conseguindo educar a emoção. Elas estão gerando jovens insensíveis, hipersensíveis ou alienados” (2003, p.67).
Insensíveis são os indivíduos com traços de personalidade psicopata, ofendem e machucam os outros sem sequer perceber que o fazem. Estudos da mente do psicopata revelam que lhes falta capacidade de sentir o que suas vítimas sentem. Sem a educação da emoção essa personalidade psicopata pode aflorar e o indivíduo passa a não pensar na consequência do que faz.
Hipersensíveis já são os indivíduos que se importam excessivamente com as dores alheias, se preocupam demasiadamente com as críticas, são desprovidos de barreiras emocionais que os proteja.
Os alienados não têm perspectivas de futuro, não traçam metas, vivem imersos num conformismo que não conhece derrotas e nem glórias.
Conheça mais sobre a educação da emoção. Uma sugestão é a obra Inteligência Emocional de Daniel Goleman. (Dados na íntegra consta na bibliografia).
A MEMÓRIA COMO SUPORTE DA ARTE DE PENSAR
A memória deve ser encarada como suporte da criatividade e não como depósito de informações. Não se pode encarar o processo de ensino aprendiz apenas como cumprimento de conteúdo, mas principalmente como estímulo ao desenvolvimento como criadores e pensadores.
A memória não tem a função de banco de dados, como a escola a transformou ao transmitir uma infinidade de informações que nunca serão úteis.
“A memória clama para que o ser humano seja criativo, mas a educação clássica clama para que ele seja repetitivo. A memória não é um banco de dados nem nossa capacidade de pensar, é uma máquina de repetir informações como (...) computadores” (CURY, 2003, p.69)
Todo ser humano tem o mesmo potencial intelectual, independente da cultura em que esteja inserido. Todos podem produzir uma infinidade de ideias, diferentemente dos computadores que por mais avançados que sejam respondem apenas a estímulos programados.
Essas reflexões nos levam a questionar a concepção de avaliação de escola clássica adota, baseada em provas fechadas em que é exigido do aluno a repetição do que foi explicado na aula. Esse tipo de prova desenvolve o livre pensamento? Estimula a criatividade e a inteligência? Propicia a expansão da capacidade de argumentação dos alunos/as.
O desenvolver do pensamento deveria ser valorizado e não a memorização do que foi anteriormente exposto pelo professor/a.
A RESOLUÇÃO DE CONFLITOS EM SALA DE AULA
O conflito não deve ser encarado como algo pejorativo, mas como uma possibilidade de reajuste nas relações interpessoais. O importante é que o professor saiba proteger sua emoção diante de situações conflitantes para evitar desgastes.
O professor/a deve levar os alunos/as a pensar na atitude agressiva no momento adequado, que na maioria das vezes não é no calor do conflito em que a tensão obstrui a inteligência.
O próprio professor deve dar um tempinho para reagir a algum atrito, pois se ele responder imediatamente a uma ofensa ou crise, reage por instinto, já que a construção da cadeia de pensamentos está obstruída. Daí a importância de respirar fundo, contar até 10, como dizemos, e só então, quando a tensão estiver aliviada, devemos reagir. Não dando lições de moral, mas criando momentos educativos de reflexão e redimensionando atitudes.
Resolver problemas lógico-matemáticos pode criar bons alunos, porém resolver conflitos tornas excelentes seres humanos. Essa é uma ferramenta que pode ser usada pela vida afora.
Paulo Freire nos fala que mais importante que a leitura da palavra é a leitura do mundo, mais que instruir os alunos para exercer uma profissão é importante educar para a vida. Preparando para não ter medo de falhar e para tentar sempre. “Ensine-os a conquistar experiências originais, através da observação de pequenas mudanças e da correção de grandes rotas”. (CURY, 2003, p.80).
Agora, te convido a pensar/sentir: Qual é a escola dos seus sonhos?
REFERÊNCIA:
CURY, Augusto Jorge. Pais brilhantes, professores fascinantes: A educação de nossos sonhos, formando jovens felizes e inteligentes. Rio de Janeiro, Ed. Sextante, 2003.